O processo de envelhecimento traz mudanças importantes na composição corporal, no metabolismo e no funcionamento do sistema digestório, o que aumenta o risco de sobrepeso, desnutrição, deficiências de micronutrientes e pior controle de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Entre os fatores que interferem na saúde digestiva do idoso, estão a redução gradual da produção de ácido clorídrico no estômago (hipocloridria), a presença de infecções como Helicobacter pylori e o uso prolongado de medicamentos que reduzem a acidez gástrica, como os inibidores de bomba de prótons (IBP, os “prazóis”).
A hipocloridria prejudica a digestão de proteínas, a absorção de minerais (como ferro, cálcio, zinco) e vitaminas, e pode favorecer sintomas como distensão abdominal, gases, refluxo, constipação e sensação de “empachamento” após as refeições. Além disso, o uso crônico de IBP tem sido associado a deficiência de vitamina B12, que por sua vez pode causar anemia megaloblástica e sintomas associados.
No contexto da Atenção Primária à Saúde, o enfermeiro ocupa posição estratégica na identificação de riscos nutricionais em idosos, na orientação sobre escolhas alimentares mais saudáveis, na promoção de redução de ultraprocessados e no reconhecimento precoce de sinais e sintomas de possíveis deficiências nutricionais relacionadas a hábitos alimentares inadequados e uso prolongado de medicamentos.
Considere que você é o enfermeiro da UBS Pôr do Sol, no interior do Paraná. Lá, você recebe diferentes pacientes todos os dias, com os mais diferentes sinais e sintomas possíveis. Dentre estes pacientes, esta a encantadora Dona Idalina, 89 anos, a qual possui histórico de Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Ela mede 1,56 m de altura e pesa 79 kg.
Relata sensação de digestão lenta, refluxo, distensão abdominal, muitos gases e constipação a alguns anos. Além disso, diz ser muito ansiosa, referindo que “come para aliviar a ansiedade”, com preferência por alimentos ultraprocessados, mais palatáveis (salgadinhos, biscoitos recheados, doces prontos, fast-food).
Quando questionada sobre o consumo de frutas, ela diz que consome frutas em todas as refeições, no suco de saquinho. Baixa ingestão de proteínas, especialmente de carnes vermelhas, por queixa de “não cair bem” e dificuldade de mastigação já que a prótese esta frouxa.
Faz uso crônico de fármacos da classe dos prazóis, iniciados após diagnóstico de infecção por H. pylori, sem reavaliação recente da necessidade de manutenção.