A literatura especializada tem avançado na distinção entre compliance como mera conformidade legal e compliance como pilar de uma cultura organizacional de integridade. Verhezen (2010), em estudo seminal publicado no Journal of Business Ethics, demonstrou que organizações que se limitam a mecanismos formais de conformidade (códigos escritos e controles internos isolados) frequentemente perpetuam o que o autor denomina "cultura do silêncio", na qual os colaboradores omitem irregularidades por temor ou indiferença. A superação desse modelo demanda uma transição para uma cultura baseada na integridade, na qual o diálogo ético genuíno e o engajamento voluntário das pessoas substituem a obediência coercitiva. Altamuro et al. (2021), em análise da indústria farmacêutica norte-americana, corroboram esse argumento ao evidenciar que a integridade organizacional, refletida na qualidade dos controles internos, reduz simultaneamente as não conformidades e irregularidades de reporte financeiro.
Fonte: VERHEZEN, Peter. Giving voice in a culture of silence: from a culture of compliance to a culture of integrity. Journal of Business Ethics, [s. l.], v. 96, n. 2, p. 187-201, 2010.
ALTAMURO, J. et al. Corporate integrity culture and compliance: a study of the pharmaceutical industry. Contemporary Accounting Research, [s. l.], v. 38, n. 3, p. 1770-1800, 2021.