Atividade Muscular no Contexto da Otimização do Espaço de Trabalho Ergonômico para Funcionários Administrativos Durante o Uso de Computadores
(Muscle activity in the context of ergonomic workspace optimalization for administrative staff during computer use)
Sentar, como postura diária de trabalho e forma de passar o tempo livre, constitui aproximadamente 50–60% da rotina diária média de um adulto. Atualmente, profissionais administrativos passam até 82% de suas horas de trabalho sentados. Inicialmente, a ênfase em reduzir as consequências de sentar por muito tempo durante o expediente se devia principalmente ao seu impacto no sistema cardiovascular e à prevalência da obesidade. De acordo com uma revisão sistemática, as diretrizes de saúde para a população geral focam na redução do tempo total sentado ao longo do dia, seja no trabalho ou no lazer. No entanto, além de outros sistemas, sentar por muito tempo é considerado prejudicial para o sistema musculoesquelético, sendo fonte de desconforto ou dor. Isso é explicado por hipóteses que sugerem que a causa está em fatores, como baixos níveis de atividade e predominância de carga estrutural passiva; mudanças posturais, como achatamento ou acentuação das curvaturas da coluna ao longo do intervalo sentado; descondicionamento crônico associado a níveis de atividade habitualmente baixos, levando à fadiga e à possível ocorrência de lesões por esforço repetitivo.
Estudos adicionais comparando trabalho sentado com mesas ajustáveis para sentar e ficar em pé identificaram maior fadiga autorrelatada, sensação de baixa energia durante o tempo sentado, além de redução da concentração e produtividade. A verticalização tem efeitos positivos em outros sistemas além do sistema musculoesquelético, conforme indicado por um estudo, cujos autores argumentam que substituir o comportamento sedentário por atividade física em pé ou de baixo nível pode reduzir o risco de doenças relacionadas ao estilo de vida e mortalidade sem alcançar um nível de atividade física moderada a vigorosa (MVPA). A dor musculoesquelética é altamente prevalente entre usuários de computador, abrangendo dor no pescoço e ombro bem como dor nos braços e punhos, com prevalência variando de 20,3 a 56,1%. O desconforto musculoesquelético associado ao trabalho no computador se manifesta por esforço físico, estresse psicossocial, tempo total dedicado ao trabalho com computadores, configuração de estações de trabalho e fatores organizacionais.
Fonte: PRYCL, D. et al. Muscle activity in the context of ergonomic workspace optimalization for administrative staff during computer use. Health Problems of Civilization, v. 18, n. 4, p. 440-452, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.5114/hpc.2024.136912. Acesso em: 18 fev. 2026.