MAPA - SER - INCLUSÃO E INTEGRAÇÃO DE GRUPOS MINORITÁRIOS - 51_2026
ESTUDO DE CASO - NARRATIVA PARA PROBLEMATIZAÇÃO
Maria tem 12 anos e mora na Vila Nova Esperança, uma comunidade na periferia da zona sul da cidade. Ela vive com a mãe, Rosa, de 34 anos, e três irmãos menores: João Pedro (9 anos), Ana Clara (6 anos) e Gabriel (4 anos). O pai abandonou a família há dois anos, após um longo histórico de violência doméstica e alcoolismo. Desde então, Rosa sustenta sozinha os quatro filhos, trabalhando como diarista e ganhando cerca de R$ 800,00 por mês em trabalhos irregulares.
A rotina de Maria começa às 5h da manhã. Ela é quem prepara o café da manhã, acorda os irmãos e os leva para a escola antes de ir para suas próprias aulas no 6º ano. Após a escola, Maria assume responsabilidades de adulto. Ela busca os irmãos menores, prepara o almoço com os poucos recursos disponíveis e, a partir das 16h, vai para o sinal de trânsito vender balas e doces. Seu objetivo é ganhar ao menos R$ 20,00 por tarde para ajudar nas despesas, mas nem sempre consegue. Volta para casa depois das 19h, cansada e, muitas vezes, sem ter vendido nada, acumulando dívidas com o vendedor que fornece os produtos.
Na escola, Maria enfrenta bullying constante. As colegas a chamam de "fedorenta" e "mendiga", zombam de suas roupas desgastadas e a excluem dos trabalhos em grupo. Fotos dela circulam em grupos de WhatsApp com legendas humilhantes. Seu rendimento escolar despencou de 6,0 para 3,5, e ela tem evitado cada vez mais ir às aulas. Os professores, sobrecarregados, não perceberam a gravidade da situação.
A situação se agravou nas últimas semanas. A mãe de Maria passou mal no trabalho devido a uma crise de hipertensão e foi orientada a tomar medicamentos que a família não pode comprar. Gabriel, o caçula de 4 anos, deveria estar na pré-escola, mas está há 18 meses na fila de espera e fica sozinho em casa quando Maria vai à escola. A família está com três meses de aluguel atrasado e sob ameaça de despejo.
O episódio mais preocupante aconteceu na semana passada. Quando Maria voltava do sinal, um vizinho conhecido da comunidade, visivelmente alcoolizado, a abordou de forma inadequada. Ele fez comentários sobre o corpo dela, ofereceu dinheiro em troca de "favorzinhos" e segurou seu braço quando ela tentou fugir. Maria conseguiu se soltar e correu para casa, mas não contou à mãe, que estava exausta demais para conversar. Desde então, ela tem evitado passar pela rua onde mora o homem, chegando cada vez mais tarde em casa e desenvolvendo insônia.
O território onde Maria vive é marcado pela violência. A Vila Nova Esperança é uma ocupação irregular de 15 anos com aproximadamente 4.500 famílias, nas quais 78% vivem com renda de até um salário-mínimo. A comunidade enfrenta disputas entre facções criminosas, com média de dois homicídios por mês, a maioria de jovens entre 15 e 24 anos. Há um toque de recolher informal após as 22h, imposto pelo tráfico local. A infraestrutura pública é precária: uma UBS sobrecarregada, uma escola lotada, falta de iluminação pública e ausência de policiamento regular.
Fonte: Elaborado pelo professor, 2026.
- ENUNCIADO E COMANDO DA ATIVIDADE
A partir da leitura do ESTUDO DE CASO e dos conceitos discutidos ao longo da disciplina, você realizará uma imersão teórica e prática para elaborar uma Proposta de Intervenção Social.
ETAPA 1.1 - Reflexão Crítica: utilize as questões abaixo para guiar seu diagnóstico (não responda como questionário, use-as para construir seu texto):
Identificação de Violências: quantos tipos de violência (física, psicológica, institucional, simbólica) Maria sofre?
Vulnerabilidade vs. Violação: Maria é vítima ou está em situação de vulnerabilidade? Como esses conceitos se diferenciam neste caso?
Território e Estrutura: como a ausência do Estado e a dinâmica do território (Vila Nova Esperança) perpetuam o ciclo de pobreza da família?
Políticas Públicas: quais serviços (saúde, educação, assistência) falharam com Maria e como evitar a culpabilização da mãe?
ETAPA 1.2 - Imersão Prática: visite um CRAS, CREAS ou OSC de seu território. Apresente o caso hipotético de Maria a um assistente social e discuta estratégias reais de intervenção para garantir os direitos desta criança e sua família (Quais seriam as medidas protetivas imediatas? Como articular a rede para que Maria saia do sinal e Gabriel consiga a vaga na creche?/ Qual o papel do profissional diante da ameaça de despejo e da violência sofrida por Maria?).
ETAPA 1.3 - Produção Textual para ENTREGA: com base nas suas reflexões e na conversa com o profissional de campo, redija um texto dissertativo-argumentativo de 1 a 2 laudas apresentando sua Proposta de Intervenção.
Seu texto deve conter:
Diagnóstico: breve análise da situação de Maria.
Plano de Ação: propostas concretas de intervenção imediata e a longo prazo. (Atuação Imediata do Serviço Social/Primeiras ações (acolhida, escuta qualificada, proteção/Acionamento da rede (Conselho Tutelar, CREAS, escola, UBS/Elaboração do Plano de Atendimento Individual (PIA)).
Fundamentação: Conexão com os conteúdos da disciplina e referências bibliográficas.
Referências.
- INSTRUÇÕES DE ENTREGA
Utilize o "Formulário Padrão" disponível no Material da Disciplina.
O arquivo deve ser enviado obrigatoriamente em Word.
Configuração: fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5 entre linhas.
Mínimo de 1 e máximo de 2 páginas (laudas).
Referências: liste as obras consultadas ao final do trabalho, seguindo as normas da ABNT.
Antes de enviar sua atividade, revise e confirme se o arquivo é o correto.
Bom trabalho!