A morte e o processo de morrer fazem parte da experiência humana, porém ainda representam um dos maiores desafios para pacientes, familiares e profissionais de saúde. No contexto dos cuidados paliativos, compreender esse processo significa reconhecer que o cuidado vai além do tratamento da doença, envolvendo também o acolhimento das necessidades emocionais, sociais, culturais e espirituais daqueles que vivenciam a terminalidade da vida. Nesse cenário, o enfermeiro desempenha papel fundamental ao estabelecer uma comunicação empática, oferecer suporte à família, respeitar a autonomia do paciente e compreender que as diferentes manifestações do luto fazem parte de um processo individual, que não ocorre de maneira linear ou igual para todas as pessoas.
O modelo proposto por Elisabeth Kübler-Ross descreve cinco estágios do processo de morte e do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação, ressaltando que essas fases podem ocorrer em diferentes intensidades e ordens, ou até mesmo não serem vivenciadas por todos os indivíduos. Dessa forma, o conhecimento desses estágios permite ao profissional de enfermagem identificar necessidades específicas em cada momento, oferecendo um cuidado humanizado, ético e centrado no paciente e em sua rede de apoio, além de favorecer o próprio autocuidado do profissional diante dos impactos emocionais decorrentes da assistência a pacientes em fase terminal.
Fonte: FERNANDES, Neylla Ruiz. Enfermagem em Cuidados Paliativos. Florianópolis, SC: Arqué, 2025.