Para compreendermos a complexidade da Língua Brasileira de Sinais, é fundamental abandonar a perspectiva das línguas orais-auditivas. Segundo Quadros e Karnopp (2004, p. 118), em sua obra de referência Língua de Sinais Brasileira: Estudos Linguísticos, a Libras apresenta raízes lexicais e estruturas morfológicas próprias, em que "a incorporação de numerais, a incorporação da negação e o uso de classificadores são processos de formação de palavras altamente produtivos".
Enquanto a língua portuguesa apoia-se predominantemente na linearidade estrutural, por meio de afixos e desinências organizados em sequência, a Libras caracteriza-se por sua modalidade visuoespacial, cuja morfologia é construída principalmente pela simultaneidade e pela utilização do espaço. Apesar dos avanços nos estudos linguísticos sobre a Libras, ainda é comum observar práticas de ensino que reproduzem estruturas da língua portuguesa, dificultando a compreensão dos mecanismos próprios da língua de sinais. Como consequência, muitos estudantes apresentam dificuldades para compreender como os classificadores, os verbos direcionais/espaciais e outros recursos morfológicos contribuem para a construção de significados em Libras.
Fonte: QUADROS, R. M. de; KARNOPP, L. B. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004, p. 118.